Publicada: 10/08/2015
segunda-feira, 10 de agosto de 2015
O fungo Phakopsora pachyrhizi Sydow é favorecido por chuvas bem distribuídas e longos períodos de molhamento, associados a temperaturas entre 18°- 28°C. Depende de plantas suscetíveis para se desenvolver devido ao seu hábito biotrófico (nutre-se do tecido vivo das plantas).
Normalmente, o fungo não apresenta desenvolvimento na Região Sul, em função do frio no inverno que impossibilita a sobrevivência de plantas de soja. Entretanto, neste inverno, em função das temperaturas amenas associadas a chuvas frequentes, tem-se encontrado plantas voluntárias de soja em lavouras de cobertura. Nessas plantas foram visualizados sintomas da Ferrugem Asiática da soja e nessas lesões foi observada abundante produção de esporos do fungo, como pode ser visualizado na imagem.
A presença de inóculo do fungo Phakopsora pachyrhizi na Região Sul, em meses que antecedem a semeadura da soja, é incomum. Visto que em anos normais, o desenvolvimento inicial da epidemia da Ferrugem asiática depende quase que exclusivamente do inóculo que se dissemina via o ar de outras regiões, como Centro-Oeste.
Essa condição indica o risco de que a epidemia da Ferrugem asiática se estabeleça mais cedo na região. Além disso, é importante considerar que os prognósticos climáticos indicam que a primavera terá temperatura e chuva acima da média histórica pela influência do fenômeno El niño. Outro fator que pode agravar o problema e contribuir para a incidência precoce deste fungo na região sul do Brasil é aumento de soja safrinha no Paraguai.
Assim, a combinação desses fatores traz o alerta aos produtores, para que façam monitoramento das lavouras e estejam preparados para iniciar a proteção das plantas de soja mais cedo.
Mônica Paula Debortoli, fitopatologista do Instituto Phytus. Engenheira agrônoma pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), mestre e doutora em engenharia agrícola pela mesma instituição.
Contato: monica.debortoli@iphytus.com
(Fonte: Agrolink)