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Publicada: 19/10/2026

Com clima desafiador, região de Sobradinho inicia plantio da soja e busca ajustar manejo para uma safra atípica

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Fonte: Setor de Comunicação

A região atendida pela Unidade da Cotriel de Sobradinho já deu início à safra de soja 2026/2027, mas o avanço do plantio ocorre em ritmo mais lento devido às condições climáticas do período. O excesso de chuvas, a baixa luminosidade e as temperaturas mais baixas têm limitado as janelas de trabalho no campo, embora cerca de 80% a 90% das áreas destinadas à cultura já estejam dessecadas e prontas para receber as sementes.

A avaliação é do engenheiro agrônomo da Unidade de Sobradinho, Jean Ceolin Michel, que acompanha os associados dos municípios de Sobradinho, Segredo, Passa Sete, Lagoa Bonita do Sul e Ibarama. Segundo ele, apesar do atraso inicial, a expectativa é que, com uma sequência de dias favoráveis, a maior parte da área esteja semeada até o início ou meados de novembro.

“Nossa região tem o costume de plantar mais cedo. Já temos produtores semeando e áreas com soja nascida. O plantio começou, mas o clima não está colaborando. Com frio e umidade, não há condições ideais para o desenvolvimento inicial da cultura”, explica o agrônomo.

Perfil produtivo marcado pela soja e pelo fumo

A agricultura da região é fortemente influenciada pela combinação entre soja e fumo. Em Sobradinho e Ibarama, onde as propriedades são menores, o fumo mantém papel relevante na rentabilidade e funciona como uma importante fonte de renda para as famílias. Já em Segredo, Passa Sete e Lagoa Bonita do Sul, a soja ganha maior destaque, com áreas mais extensas dedicadas à oleaginosa.

De acordo com Jean Ciolim, os três municípios de Segredo, Passa Sete e Lagoa Bonita do Sul somam aproximadamente 15 mil hectares cultivados com soja. Em Sobradinho e Ibarama, a estimativa é de cerca de 3,5 mil hectares. O fumo, embora ocupe áreas menores, é considerado decisivo para a sustentabilidade econômica de muitas propriedades.

“O fumo é uma espécie de bengala para o produtor, porque ainda proporciona boa rentabilidade. Isso faz com que muitos não busquem tanto retorno nas culturas de inverno”, comenta.

Inverno com pouca área e predomínio de pousio

As lavouras de inverno têm participação reduzida na região. Entre trigo, aveia e canola, são cerca de 500 hectares, uma área considerada pequena diante do potencial produtivo dos solos locais. A maior parte das áreas permanece em pousio, muitas vezes com azevém ou vegetação espontânea, enquanto outra parcela recebe aveia e mixes de cobertura.

O Agrônomo explica que a opção pelo pousio está relacionada principalmente ao risco climático. A região de Sobradinho está em uma área de transição entre a Depressão Central e o Planalto, o que resulta em grande variação de umidade, neblina e temperatura entre localidades relativamente próximas.

“Aqui temos locais que ficam úmidos por muito tempo durante o dia, com neblina quase constante em algumas áreas. Isso prejudica as culturas de inverno. Agronomicamente, trigo e canola são boas alternativas, mas o risco climático é maior”, avalia.

Mesmo assim, as áreas de cobertura vegetal apresentaram bom desenvolvimento. Segundo o técnico, apesar do aparecimento de doenças no final do ciclo, em razão da umidade, a palhada formada deverá contribuir positivamente para o plantio direto da soja.

“AS coberturas se desenvolveram bem e vão fornecer uma palhada muito boa para a lavoura de verão. O desafio será operacional, porque a quantidade de palha pode dificultar o trabalho das máquinas”, projeta.

Milho aparece como alternativa para rotação

Outro ponto de atenção apontado pelo engenheiro agrônomo é a baixa participação do milho no sistema produtivo. A ausência dessa cultura limita as possibilidades de rotação e pode agravar problemas com plantas daninhas resistentes, especialmente em áreas que repetem soja ano após ano.

“Temos áreas que, desde que conheço, nunca viram outra coisa além de soja. O milho é uma alternativa importante para rotacionar, quebrar o ciclo de daninhas e melhorar a sustentabilidade do sistema. Economicamente, também voltou a ser interessante”, destaca Jean.

Ele pondera, porém, que a cultura ainda enfrenta resistência por causa da sazonalidade e da concorrência com soja e fumo, que seguem como principais atividades nas propriedades. Para os próximos anos, a ampliação do milho é apontada como um caminho necessário para fortalecer o manejo integrado das lavouras.

Solo bem preparado e investimentos em adubação

Apesar das adversidades climáticas, o momento financeiro dos produtores da região permite investimentos em correção de solo e nutrição das lavouras. A boa colheita dos últimos anos, somada à renda gerada pelo fumo, contribuiu para que muitos associados conseguissem realizar aplicações de calcário, fontes de cálcio e adubação de forma mais robusta.

“Quem teve oportunidade e planejamento fez a correção. O produtor está animado e investindo pesado em adubação, principalmente pela expectativa de produtividade acima da média em um ano chuvoso”, afirma o agrônomo.

Ainda assim, ele reconhece que o inverno chuvoso impediu que algumas áreas recebessem calcário no período ideal. Mesmo assim, a avaliação geral é de que os solos estão bem preparados para o ciclo da soja.

Manejo fitossanitário exige atenção redobrada

O clima úmido também acende o alerta para pragas, doenças e plantas daninhas. Na avaliação de Jean Ciolim, o principal desafio do momento está no controle das invasoras, já que as chuvas ocorridas logo após as aplicações reduziram a eficiência de alguns tratamentos.

“O produtor aplicou em dia de sol e, dias depois, veio chuva. Em alguns casos, o produto não respondeu como esperado e não houve condição de reaplicar. Isso tem gerado bastante dificuldade”, relata.

Quanto às doenças, a preocupação maior é com a ferrugem-asiática da soja. A umidade favorece o desenvolvimento do patógeno, mas a precocidade dos materiais cultivados na região pode ajudar, pois boa parte das lavouras tende a estar em fases avançadas quando a pressão da doença se intensificar.

“Meu receio é não conseguir fazer as aplicações no momento certo. O ano é de muita umidade e as janelas de aplicação podem ficar cada vez mais curtas. Por isso, orientamos o produtor a aproveitar as oportunidades e realizar o manejo de forma correta e assertiva”, salienta.

Nova unidade amplia capacidade e aproxima a Cotriel do produtor

A entrevista também destacou os reflexos da nova unidade da Cotriel em Sobradinho, instalada no distrito industrial, na divisa com Segredo. A estrutura ampliou a capacidade de recebimento de grãos na região e reduziu distâncias para os associados, especialmente os produtores de Segredo, que ficam a cerca de oito a nove quilômetros do novo empreendimento.

Para Jean Ciolim, a chegada da unidade representou uma conquista importante e já apresentou resposta imediata, com recebimento histórico de grãos na região. “O produtor sempre reivindicou essa proximidade. Com duas unidades, a entrega ficou mais rápida e a capacidade de recebimento aumentou. A região respondeu muito bem”, avalia.

Desafio central é adaptar a receita de manejo

Ao resumir o principal desafio técnico da safra, o agrônomo não hesita: a necessidade de romper com a repetição automática das práticas utilizadas em anos anteriores. Segundo ele, muitos produtores tendem a reproduzir a mesma “receita” que deu certo no ciclo passado, sem considerar que cada safra apresenta condições distintas.

“O que deu certo no ano passado pode não dar certo neste ano. Este é um ano diferente, com muita umidade, pouca luminosidade e janelas de plantio e aplicação mais limitadas. O produtor precisa fazer ajustes e contar com acompanhamento técnico”, enfatiza.

A equipe técnica da Cotriel atua no acompanhamento das lavouras, na orientação sobre manejo de solo, controle de daninhas, doenças e pragas, além do planejamento de investimentos e da escolha de materiais. O objetivo, segundo Jean, é ajudar o associado a tomar decisões mais precisas em um cenário climático cada vez mais variável.

“Nossa região planta materiais precoces pela praticidade, rapidez e produtividade, mas isso não elimina a necessidade de investir no manejo ao longo do ciclo. A Cotriel está ao lado do produtor para auxiliar nas decisões e buscar a melhor estratégia para cada propriedade”, conclui.

Confira a entrevista