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Publicada: 01/09/2026

Crédito de carbono chega ao pequeno produtor via cooperativismo

terça-feira, 1 de setembro de 2026

Fonte: Setor de Comunicação

O crédito de carbono não é um mecanismo novo — existe há décadas —, mas historicamente excluiu o pequeno produtor e o agricultor familiar por barreiras como custos de certificação e exigência de escala.

A proposta levada à ImpactaCoop 2026, em Espumoso, é justamente inverter essa lógica: levar o mercado de carbono de forma simples e acessível, com um modelo de negócio “amigável”, em que o produtor não precisa fazer grandes investimentos para acessar essa nova fonte de receita.

Do lado da demanda, há um movimento claro de compradores que buscam créditos com maior impacto social. Enquanto grandes projetos costumam concentrar milhares de hectares nas mãos de um único proprietário, o modelo agregado ao cooperativismo distribui recursos escassos para um número maior de famílias, remunerando quem cuida da propriedade, conserva a vegetação e, muitas vezes, paga impostos sobre a área sem nunca ter tido retorno econômico direto dessa conservação.

Potencial de Espumoso: até R$ 52 milhões em receita

Antes do evento, a equipe da Terra Carbon Soluções em Crédito de Carbono fez um levantamento específico para Espumoso. O objetivo foi mapear número de propriedades, tamanho médio e quanto ainda resta de vegetação nativa em 2026.

Segundo Eloi Dallanora, representante da empresa, os números apontam um potencial de até 1,3 milhão de créditos de carbono no município. Com base em uma conversão conservadora de US$ 1 para R$ 5, isso representa a possibilidade de injetar na economia local uma receita de até US$ 10,4 milhões, ou R$ 52 milhões. Ele apresentou estes números ao lado de Diego Jost,

Para o produtor individual, a conta é ainda mais concreta: em média conservadora, 1 hectare de floresta nativa bem conservado (com árvores, não apenas campo nativo) pode gerar no mínimo 100 créditos de carbono. Com o preço médio dos últimos 12 meses em torno de US$ 8 por crédito, a receita estimada fica em aproximadamente R$ 4 mil por hectare/ano em projetos de conservação.

Modelo de negócio: risco zero para o produtor

Um dos pontos centrais da proposta é a estrutura de risco e remuneração. No modelo apresentado, o produtor não entra com recursos antecipados e não assume investimento inicial. A empresa investe recursos próprios desde a concepção do projeto até a emissão dos títulos de crédito.

A remuneração da Terra Carbon ocorre apenas se o projeto for bem-sucedido, por meio de uma contrapartida em créditos: 80% dos créditos gerados ficam para o produtor e 20% para a empresa, cobrindo custos de desenvolvimento do projeto, auditoria, registro e emissão dos títulos. Ou seja: o produtor só ganha se o projeto gerar créditos, e a empresa só recebe se o produtor receber.

Prazos e tipos de projeto

Existem diferentes desenhos de projetos de carbono, com preços e prazos variados. Há créditos que já chegaram a valer US$ 50, mas costumam exigir certificação mais longa e custos mais elevados.

O modelo apresentado na ImpactaCoop foca em um processo mais ágil e adequado ao pequeno produtor: o tempo médio de certificação, da concepção até a emissão dos títulos, é de 12 meses. Esse prazo permite que o agricultor familiar se encaixe no modelo sem descapitalizar a propriedade, recebendo sua parte dos créditos assim que o projeto é validado e os títulos emitidos.

Impacto social e governança cooperativa

Ao vincular créditos de carbono ao cooperativismo, o projeto ganha uma dimensão adicional de impacto social. Em vez de concentrar renda em grandes propriedades, o modelo distribui receita para múltiplas famílias, fortalece a governança local e cria uma nova linha de negócio atrelada à conservação ambiental.

"Para municípios como Espumoso, onde a estrutura fundiária é marcada por propriedades de porte médio e pequeno, essa abordagem pode transformar áreas de vegetação nativa — hoje vistas apenas como “área de preservação” ou “ônus tributário” — em ativos econômicos recorrentes, com receita previsível e alinhada à sustentabilidade", finalizou Eloi.

Confira a entrevista.