Publicada: 18/05/2012
sexta-feira, 18 de maio de 2012
As previsões públicas e privadas indicam que, no Paraná, o Valor Bruto da Produção (VPB) agropecuária – a soma de tudo que se produz no meio rural com base em preços médios – tende a se aproximar do recorde de R$ 48 bilhões alcançados no ano passado, isso depois de uma quebra estimada em pelo menos 4 milhões de toneladas na colheita da soja, que rendeu um quarto a menos que o previsto.
A cotação da soja teve aumento de 19,8% em Chicago e de 21% no Brasil de janeiro até esta semana, apesar das baixas registradas desde sexta-feira, avaliou nessa quarta-feira Gilda Bozza, economista da Federação da Agricultura do Paraná (Faep). A renda do agricultor, no entanto, não será proporcional a essa escalada de preços. “Não dá para esquecer que tivemos quebra de safra, devemos ter um empate na renda.”
A moeda norte-americana sobe em uma época em que as vendas estão adiantadas. Os produtores comercializaram até o momento 81% da soja 2011/12, conforme os índices oficiais. O câmbio promete boa cotação para os 19% restantes. E abre boas perspectivas também para o milho de inverno, que pode passar de 9 milhões de toneladas pela primeira vez, volume mais de 50% superior ao de 2011, conforme projeção do Departamento de Economia Rural (Deral) do Paraná.
O VBP vai depender ainda do rendimento no campo e dos preços dos cereais de inverno, incluindo o trigo. Outra incógnita é a renda da pecuária, que espera também sair ganhando com a influência da moeda norte-americana nas cotações das carnes bovina, suína e de frango. Por outro lado, o VBP não leva em conta os gastos dos produtores com insumos. Fertilizantes e agrotóxicos estão subindo e devem reduzir as margens de lucro nas contas de 2012/13.
A quebra registrada na colheita de verão se equipara à de três anos atrás. Em 2009, o VBP caiu 10% em relação ao ano anterior. É justamente esse recuo que não deve se repetir neste ano. “Em tese, a desvalorizaão do real é sempre boa para o exportador. Essa alta recente do dólar ocorre num momento em que uma boa parte da soja já foi exportada, em patamares elevados, e leva a uma elevação do VBP”, disse Julio Suzuki, diretor de pesquisa do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes). O câmbio passará a pesar nas contas dos produtores se a moeda norte-americana seguir acima de R$ 2 por um período mais longo e elevar substancialmente os preços dos insumos, considera.
As previsões sobre o VBP vinham apontando queda expressiva no faturamento do agronegócio. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) apontou que o setor teria sua renda reduzida em 2,3%, para R$ 211 bilhões, com queda de R$ 3,7 bilhões no Paraná. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estima esse índice em R$ 205 bilhões, valor 1,5% maior que o apurado em 2011. De acordo com a CNA, a pecuária é que vai elevar a renda do agronegócio, com incremento de 11,2%, atingindo R$ 146,3 bilhões.
Fonte: Agrolink.