Publicada: 15/09/2026
terça-feira, 15 de setembro de 2026
Fonte: Setor de Comunicação
Na entrevista técnica da semana, o técnico agrícola Tiago Eichelberger, da unidade da Cotriel de Arroio do Tigre, avaliou o desenvolvimento das principais culturas da região e destacou os cuidados necessários para o manejo das lavouras e a preparação das próximas safras.
Segundo o profissional, as áreas de aveia e trigo apresentam bom desenvolvimento, mesmo diante das condições climáticas registradas nas últimas semanas, marcadas por períodos de frio, chuva e variações de temperatura.
A aveia encontra-se em estágio mais adiantado, com muitas lavouras já em espigamento. O trigo, por sua vez, está, em sua maioria, na fase de emborrachamento, período que exige atenção redobrada dos produtores em relação ao monitoramento e à proteção das plantas.
Atenção às doenças nas culturas de inverno
Entre as principais preocupações neste momento estão as doenças favorecidas pela umidade e pela ocorrência de dias nublados.
Na aveia, a ferrugem tem exigido aplicações de fungicidas em intervalos menores neste ano. A recomendação é que os produtores acompanhem constantemente a evolução da doença e realizem o manejo no momento adequado, evitando que a ferrugem avance e comprometa o potencial produtivo das lavouras.
No trigo, a pressão da ferrugem está mais tranquila, mas outras ocorrências exigem atenção, como bacteriose, viroses, manchas foliares e oídio, especialmente nas áreas localizadas em regiões de maior altitude.
Tiago também reforça a importância do monitoramento e do controle preventivo de pulgões, principalmente devido ao papel desses insetos na transmissão de viroses. A identificação precoce das pragas permite uma tomada de decisão mais eficiente e contribui para a preservação do potencial produtivo da cultura.
Fumo mantém importância regional
O cultivo do fumo continua exercendo papel importante para os produtores de Arroio do Tigre, sobretudo nas pequenas propriedades. De acordo com Tiago, a cultura proporciona um bom retorno por área e permanece como uma alternativa relevante para a geração de renda no meio rural.
Atualmente, aproximadamente 70% das áreas previstas já foram implantadas. Os produtores começam a intensificar os tratos culturais, com a realização de práticas como adubação de cobertura e manejo de pragas.
Apesar da ocorrência de algumas geadas, até o momento não foram registrados prejuízos significativos nas lavouras de fumo. Ainda assim, o acompanhamento das áreas deve continuar, especialmente diante da possibilidade de novas variações climáticas durante o desenvolvimento da cultura.
Plantio do milho avança
O milho também é uma das principais culturas da região. O plantio das áreas de milho precoce está avançando e já alcança aproximadamente 70% a 80% da área prevista.
Neste ano, uma das principais preocupações é a cigarrinha-do-milho, que voltou a apresentar maior pressão nas lavouras. O percevejo também exige atenção, principalmente porque os danos causados pela praga podem ser percebidos somente em estágios posteriores do desenvolvimento da cultura.
Por isso, Tiago orienta os produtores a iniciarem o monitoramento desde os primeiros estágios do milho. A Cotriel disponibiliza iscas para o acompanhamento da pressão de cigarrinhas e oferece orientação técnica sobre o momento adequado para a realização dos manejos.
“O monitoramento desde o início é fundamental para que o produtor consiga agir de forma preventiva e evitar perdas maiores ao longo do ciclo da cultura”, destaca o técnico agrícola.
Milho após o fumo
Nas áreas em que o milho será cultivado após o fumo, o plantio geralmente ocorre entre dezembro e meados de janeiro. Após esse período, quando o plantio do milho deixa de ser recomendado, o produtor pode optar por outras culturas de cobertura, como milheto e capim-sudão.
Essas alternativas contribuem para a proteção do solo, a formação de palhada e a manutenção da qualidade da área para os cultivos seguintes.
Manejo de plantas daninhas deve ser antecipado
Com a aproximação da safra de soja, Tiago alerta para a necessidade de antecipar o manejo das plantas daninhas. A recomendação é não deixar esse trabalho para a última hora, pois áreas infestadas podem dificultar o estabelecimento da cultura e aumentar a competição por água, luz e nutrientes.
Nas áreas de trigo e aveia, muitos produtores já realizaram o chamado manejo de inverno, com o objetivo de manter as lavouras limpas, principalmente em relação a plantas como a buva.
O mesmo cuidado deve ser adotado em áreas de pousio, pastagens e locais que permaneceram sem cultivo durante o período. Mesmo os produtores que ainda não realizaram o manejo têm tempo para trabalhar as áreas e chegar ao plantio da soja com menor pressão de plantas daninhas.
Plantar no limpo facilita o controle
O técnico agrícola destaca que, apesar da disponibilidade de tecnologias nas variedades de soja, como as variedades Enlist, a recomendação continua sendo iniciar a cultura em uma área limpa e bem manejada.
Um bom controle das plantas daninhas antes da implantação da soja facilita o manejo posterior, reduz a competição com a cultura e contribui para o melhor aproveitamento do potencial produtivo das variedades.
“O ideal é plantar no limpo. As tecnologias disponíveis ajudam no controle, mas não substituem um manejo antecipado e bem planejado”, explica Tiago.
Orientação técnica é fundamental
Como principal orientação aos produtores, Tiago recomenda o monitoramento constante das lavouras, a antecipação dos manejos e a busca por orientação técnica sempre que necessário.
A identificação precoce de doenças, pragas e plantas daninhas permite decisões mais rápidas e eficientes, reduzindo riscos e evitando que os problemas se agravem ao longo do ciclo das culturas.
A equipe da Cotriel de Arroio do Tigre permanece à disposição dos associados para auxiliar no manejo das culturas de inverno, do milho e também na preparação das áreas destinadas ao cultivo da soja.
Confira a entrevista.