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Publicada: 29/04/2015

Produtor apresenta realidade da produção do leite na Nova Zelândia

quarta-feira, 29 de abril de 2015

No dia 08 de abril, na Sala de Reuniões, a convite da Cotriel, o diretor da empresa de genética Lic da Nova Zelândia, zootecnista Barry Allison, realizou uma palestra sobre a bacia leiteira daquele país, a qual foi voltada para veterinários e inseminadores da Sede e Unidades da Cooperativa.

A Duagro é representante/distribuidor da LIC NZ Brasil em todo o Rio Grande do Sul. A empresa fará, a partir de agora, visitas individuais nas propriedades, juntamente com a equipe técnica e inseminadores da Cotriel para que esta tecnologia de genética diferenciada possa estar ao alcance de todos os associados.

Setor leiteiro representa metade do PIB daquele país

A Nova Zelândia é um país insular no sudoeste do Oceano Pacífico formado por duas massas de terra principais e por numerosas ilhas menores. Em uma área de 268 mil quilômetros quadrados, um pouco menor que o Rio Grande do Sul, a atividade com leite ou derivados, corresponde a 50% da soma do que é produzido naquele país. Em toda extensão, são 12 mil propriedades com média de 140 hectares cada que se dedicam à atividade, com rebanhos possuindo entre 400 e 500 vacas. “ Toda a área é dedicada às pastagens e a comportar todos estes animais, uma vez que 85% da alimentação do rebanho é baseada na pastagem, a base de azevém e trevo branco, sobrando os demais 15% da dieta completada com silagem de milho e ração. Mesmo predominando o leite a base de pasto, para não haver desgaste de solo temos sistemas que invertem de tempos em tempos esta relação, aumentando o percentual de ração na dieta para até 30%, visando estender a lactação destes animais”, resumiu.

Produção de leite com qualidade é o foco dos produtores neozelandeses

Com um clima parecido com o do nosso Estado, com a diferença de um verão mais ameno, Bary disse que o trabalho do produtor da Nova Zelândia é focado na produção de um leite com gordura e proteína suficiente para gerar subprodutos para exportação como queijo, manteiga e leite em pó: “O que mais nos interessa é gerar para a indústria um leite com alto teor de sólidos, mas a título de comparação com o Rio Grande do Sul, os animais produzem 18 litros por lactação. O predomínio é da raça mestiça Jersey com holandês, com 42% do rebanho, sendo 12% Jersey e os demais 46% a raça holandês. O pagamento é feito de acordo com a quantidade de quilos sólidos gerados. Um formulário detalhado com todos estes aspectos é preenchido, discriminando detalhadamente cada item. De diferente do Brasil, ao entregar o leite nas indústrias, os produtores neozelandeses tem de pagar uma taxa por volume, sendo que, por depender a maioria da exportação, quanto melhor estiver o preço, mais vai se receber pelo produto. No ano passado, recebíamos uma média de 8,60 dólares neozelandeses por litro e este ano caiu para a média de 5,40 dólares daquele país. Quando isso acontece, cortam-se custos para não prejudicar a lucratividade”, destacou Barry, que também tem uma propriedade que dedica-se à produção de leite.

Por fim, o zootecnista revelou que cada vaca tem cinco lactações, ou seja até 7 anos de vida útil, o que exige um descarte médio de 20% do rebanho por ano, bem diferente da realidade do Brasil, a qual os produtores resistem a fazer este processo. “Por entender que ter animais em pleno auge produtivo é que gera alta produtividade, nossas vacas ao longo do seu ciclo produzem 4.500 litros de leite por lactação, quando no Brasil esta média dificilmente ultrapassa 1.500 litros. Uma desvantagem que temos é que no inverno simplesmente precisamos secar os animais por não ter pasto, algo que no Rio Grande do Sul não acontece.

Em minha humilde opinião, o que se pode copiar da Nova Zelândia é o manejo, que não precisa ser tão complicado. Ele pode ser mais simples e gerar mais lucro. A questão de falta de mão-de-obra é mundial, nós também enfrentamos, mas nem sempre é causada pela atividade em si, mas em boa parte das vezes eles saem exatamente por não ver perspectivas de ganhos. Como produtor de leite, digo também que buscar a eficiência é fundamental para o sucesso nesta atividade, que garante um bom lucro para quem se dedica à ela”, finalizou.