Os analistas reforçam que os negócios continuam parados no Brasil. Frente à queda nos valores praticados na Bolsa de Chicago (CBOT) e da acomodação cambial, os agricultores permanecem focados nos trabalhos nos campos e na conclusão do plantio do grão em muitas regiões.
"Os agricultores avançaram bastante com a comercialização quando o câmbio tocou o patamar de R$ 3,90 até R$ 4,00. Porém, diante do recuo nos valores praticados no mercado internacional e na moeda norte-americana, as negociações paralisaram. Acreditamos que no Brasil cerca de 40% da safra 2015/16 já tenha sido comprometida. E, nesse momento, os produtores estão mais focados no plantio do grão", afirma o consultor de grãos da INTL FCStone, Glauco Monte.
Safra brasileira
De forma geral, o plantio da safra brasileira ainda caminha de maneira lenta devido ao clima irregular e atrás da média observada em anos anteriores. Conforme levantamento da AgRural, pouco mais de 70% da área projetada para essa temporada foi semeada. O índice está 11% abaixo da média dos últimos cinco anos e 6% menor se comparado com igual período de 2014.
Para o Centro-Oeste, as chuvas continuam irregulares, o que já preocupa os agricultores. No Mato Grosso, cerca de 95,6% da área foi plantada, um atraso de 2,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados oficiais do Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária). E há muitos casos de replantio da soja no estado.
"É um momento de bastante instabilidade, porque dentro da uma mesma região temos inconstância muito grande no volume de chuvas", destaca o gestor do Imea, Ângelo Ozelame. Segundo ele a região nordeste é a mais afetada pela falta de chuvas, com apenas 79,4% plantado até a quarta-feira (26), contra 92% cultivado no mesmo período de 2014.
Com isso, a perspectiva é que o rendimento das áreas possa ser afetado. Porém, o instituto ainda mantém a projeção de 52,4 sacas por hectare em média para todo o estado.
Paralelamente, a preocupação na região sul do Brasil é com o excesso de chuvas. No Paraná, as precipitações pesadas e o tempo nublado têm comprometido o desenvolvimento da cultura da soja, conforme sinalizam os especialistas. Em Londrina, o volume de chuvas já supera os 400 mm em novembro.
No Rio Grande do Sul, o plantio da soja chegou a 58%, contra uma média de 65% verificados nos últimos cinco anos. Até o momento, o desenvolvimento das lavouras é considerado bom, com exceção das áreas semeadas nos dias que antecederam as fortes chuvas da segunda semana de novembro. Nestas áreas os produtores estão monitorando o stand final de plantas para tomada de decisão sobre replantar ou não estas áreas, de acordo com dados da Emater/RS.
Bolsa de Chicago
Na Bolsa de Chicago (CBOT), as cotações da soja fecharam a sexta-feira (27) do lado negativo da tabela. As principais posições da oleaginosa registraram perdas entre 2,00 e 2,25 pontos. O vencimento janeiro/16 era cotado a US$ 8,73 por bushel, já o maio/16 negociado a R$ 8,81 por bushel. Já na semana, as cotações da commodity acumularam ganhos entre 1,73% e 1,81%.