Publicada: 21/07/2026
terça-feira, 21 de julho de 2026
Fonte: Setor de Comunicação
O Técnico Agrícola da Sede, Rafael Ottoni Klein, esteve nos estúdios para analisar o desempenho da última safra de verão, o cenário das lavouras de inverno e os preparativos para a próxima safra de milho na região. Em entrevista, ele destacou que o ciclo da soja foi um dos mais desafiadores dos últimos anos, sobretudo pela forte irregularidade das chuvas.
Logo no início da conversa, Rafael ressaltou que na Sede da Cooperativa em Espumoso, a realidade foi bastante heterogênea. Em algumas áreas praticamente não faltou chuva ao longo do ciclo da soja, em outras as precipitações foram apenas medianas, enquanto determinadas regiões enfrentaram uma estiagem severa. Esse mosaico climático resultou em produtividades muito diferentes, mesmo entre propriedades vizinhas.
Na avaliação do técnico, considerando a presença do fenômeno La Niña com intensidade entre moderada e forte, a safra pode ser classificada como razoável em termos médios. Porém, os resultados individuais variaram significativamente: houve produtores colhendo menos de 30 sacas por hectare e outros ultrapassando a marca de 50 sacas. A diferença reforça o impacto da localização, do manejo e da capacidade de investimento na condução das lavouras.
Além das adversidades climáticas, Rafael chamou atenção para a questão econômica. Ele explicou que, apesar de o custo de implantação das lavouras não ter sido considerado elevado nesta safra, a baixa cotação da soja reduziu de forma importante a margem de lucro dos produtores. Essa combinação de produtividade irregular e preços pouco atrativos já começa a se refletir no planejamento da próxima temporada, com muitos agricultores optando por reduzir investimentos e adotar um nível tecnológico mais baixo.
Mesmo diante desse cenário de cautela, o Técnico Agrícola recomenda que os produtores mantenham a serenidade e façam um planejamento detalhado para a próxima safra de milho e de soja. A expectativa é de um quadro climático mais favorável nos próximos ciclos, o que pode contribuir para produtividades melhores e, consequentemente, para uma recuperação gradual da rentabilidade nas propriedades.
Ao tratar das lavouras de inverno, Rafael lembrou que a região de Espumoso é tradicionalmente forte no cultivo de trigo. No entanto, a cultura vem perdendo espaço nos últimos anos. Segundo ele, houve uma redução aproximada de 30% na área plantada em relação às últimas safras, o que altera a dinâmica de trabalho nas propriedades e também o movimento de negócios da cooperativa.
Essa retração não se limita apenas à área cultivada: houve também queda nos investimentos em tecnologia voltada ao trigo. Permaneceram na atividade, principalmente, produtores que já tinham insumos adquiridos antecipadamente ou que dispõem de maior segurança financeira para enfrentar um cenário de incerteza. Muitos agricultores que chegaram a comprar sementes acabaram desistindo da lavoura diante do aumento no custo dos fertilizantes e da menor perspectiva de retorno econômico com o cereal.
Como consequência direta, o inverno deste ano apresenta uma movimentação bem mais baixa, tanto nas atividades rotineiras das propriedades rurais quanto no fluxo de venda de insumos da cooperativa. O técnico observa que essa desaceleração no trigo impacta não apenas a renda dos produtores, mas também a diversificação do sistema produtivo e o uso da terra nesse período.
Em contrapartida, Rafael destacou que a canola vem se consolidando como uma alternativa de cultivo de inverno na região. De acordo com ele, a área plantada com a cultura aumentou de forma significativa nos últimos anos. Há cerca de dois anos, o município e arredores registravam menos de 500 hectares de canola. Atualmente, esse número é bastante superior, demonstrando o interesse crescente dos produtores por uma cultura que oferece novas possibilidades de renda e de rotação de lavouras.
Para o técnico agrícola, esse movimento de redução no trigo e avanço da canola é um retrato da busca por alternativas mais rentáveis e alinhadas às novas demandas do mercado e da indústria de óleos. Ao mesmo tempo em que ressalta os desafios impostos pelo clima e pelos preços, Rafael reforça a importância de planejamento, diversificação e uso racional da tecnologia para enfrentar um cenário de incerteza e manter a sustentabilidade econômica das propriedades rurais da região.
Confira a reportagem