Publicada: 28/07/2026
terça-feira, 28 de julho de 2026
Fonte: Setor de Comunicação
A safra de soja 2025/2026 apresentou resultados positivos na área atendida pela unidade da Cotriel em Capão do Valo, com média de produtividade entre 55 e 60 sacas por hectare, segundo o técnico agrícola Eliezer Barbosa. Em entrevista, ele avaliou o desempenho por município, explicou limitações para o cultivo de trigo e detalhou recomendações técnicas para proteger o solo e reduzir riscos na próxima safra.
Balanço da safra de verão
De acordo com Eliezer Barbosa, a safra de soja foi, no conjunto, favorável. “A média ficou entre 55 e 60 sacas por hectare, um resultado que permitiu a muitos produtores recuperar parte da capacidade financeira após anos difíceis”, afirmou. O técnico salientou, porém, que houve grande heterogeneidade: “Em Candelária alguns talhões chegaram a 80 ou 90 sacas por hectare. Já em áreas de Rio Pardo tivemos médias inferiores, principalmente por menor disponibilidade de chuva e solos mais arenosos.”
A unidade de Capão do Valo atende uma área com elevada variabilidade de textura de solo e índices pluviométricos, abrangendo trechos de Candelária, Rio Pardo e Cachoeira do Sul. Essa diversidade impõe tratamentos técnicos diferenciados. “Não existe receita única: manejo de fertilidade, práticas de conservação e escolhas de cultivares devem considerar a realidade de cada propriedade”, explicou Eliezer.
Perspectivas para o inverno: trigo em retração
O cultivo de trigo enfrenta restrições na região. Eliezer observa que a cultura ocupa atualmente menos de 5% da área de atuação da unidade, consequência das características do solo e do alto risco de perdas por excesso de chuva na colheita. “Em muitas áreas, o trigo tem risco elevado de qualidade e perdas físicas, o que desestimula o investimento”, completou.
Canola como alternativa
Diante das limitações do trigo, a canola vem ganhando espaço entre os produtores. A cultura é apontada como alternativa por seu potencial de rentabilidade e por exigir menos em termos de qualidade de grão. “A canola ainda está em fase de adaptação local, mas a expectativa é positiva; muitos produtores estão testando a cultura em áreas estratégicas”, afirmou o técnico.
Recomendações para áreas sem cultivo de inverno
Nas áreas que permanecerão sem safra de inverno, a equipe técnica da Cotriel recomenda manter o solo coberto. As opções incluem plantas de cobertura, semeadura de aveia para produção de grãos ou integração lavoura-pecuária, sempre com manejo que evite compactação do solo. “Manter cobertura é fundamental para controlar erosão, conservar umidade e reduzir a pressão de plantas daninhas”, disse Eliezer.
Controle de plantas daninhas
O manejo de espécies como buva e caruru é destaque nas orientações técnicas. A adoção de estratégias integradas — práticas culturais, químicos quando necessários e rotação de culturas — é indicada para reduzir a população de plantas daninhas e o risco de resistência, além de aliviar a pressão para a próxima safra de soja.
Medidas conservacionistas e infraestrutura
Com a previsão de maior volume de chuvas, Eliezer recomenda investimentos em práticas de conservação e pequenas obras: limpeza de canais de drenagem, construção de drenos em áreas de várzea e uso de plantas de cobertura com sistema radicular profundo para fortalecer a estrutura do solo e reduzir riscos de erosão. “A adoção dessas medidas simples pode minimizar danos quando ocorrerem chuvas intensas”, avaliou.
Adoção crescente de práticas sustentáveis
Segundo Eliezer, os eventos climáticos extremos dos últimos anos resultaram em maior adesão por parte dos produtores às práticas conservacionistas, à rotação de culturas e ao plantio direto mais robusto. “Construir solos mais saudáveis é a avenida para aumentar a estabilidade produtiva, tanto em anos de seca quanto em anos de excesso hídrico”, concluiu.
O técnico encerra enfatizando que o momento exige planejamento e investimentos voltados à resiliência: monitoramento das áreas que receberão canola, intensificação do manejo integrado de plantas daninhas e adoção de práticas que preservem e melhorem a estrutura do solo. Assim, a safra de verão positiva pode se transformar em base para safras mais estáveis nos próximos ciclos.
Confira a entrevista completa