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Publicada: 30/10/2026

Canola e aveias ganham espaço, trigo enfrenta doenças e segue plantio da soja na Serra dos Engenhos

sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Fonte: Setor de Comunicação

A paisagem agrícola da Serra dos Engenhos vem mudando aos poucos. Se, por décadas, o trigo foi praticamente sinônimo de inverno nas propriedades da região, a busca por rentabilidade, o cenário de preços e as condições climáticas têm provocado uma redistribuição das áreas cultivadas. A canola avança como alternativa econômica, as aveias ampliam sua participação — tanto para grãos quanto para cobertura de solo — e o trigo, embora ainda presente, diminui gradualmente.

Segundo o Engenheiro Agrônomo da Unidade da Cotriel da Serra dos Engenhos, Luciano Monteiro, a mudança não é apenas estatística. Ela reflete uma estratégia dos produtores para manter as propriedades produtivas durante o período de inverno, sem abrir mão da proteção do solo e da sustentabilidade do sistema de produção.

Canola conquista produtores

Entre as culturas que mais se destacam nos últimos anos está a canola. Segundo Luciano, o aumento não ocorre somente em área plantada, mas também no número de produtores que passaram a adotar a oleaginosa. Para o departamento técnico da Cooperativa, o crescimento é visto com otimismo, pois amplia as opções de renda no inverno.

O ponto decisivo, segundo o Agrônomo está no estabelecimento inicial da lavoura. Uma germinação uniforme e um bom stand de plantas criam as bases para um ciclo mais equilibrado. A partir daí, o manejo sanitário tende a ser mais tranquilo, embora anos úmidos exijam atenção redobrada.

A cultura ainda exige coragem de quem está começando, mas a experiência acumulada tem encorajado novos produtores.  

Trigo enfrenta ano desafiador

Se a canola avança, o trigo vive um momento mais delicado. Monteiro frisou que a cultura vem perdendo espaço nos últimos anos, pressionada por preços, custos e pela instabilidade climática. Neste ano, o quadro se agravou com a umidade elevada, que favoreceu a incidência de doenças.

A colheita do trigo se intensifica na região, mas o clima continua sendo um fator de preocupação. Chuvas em excesso podem comprometer a qualidade dos grãos, incluindo o  pH, um dos principais indicadores comerciais do cereal.

Há ainda um agravante: parte dos produtores reduziu o investimento inicial na cultura. No momento do plantio, os insumos estavam mais caros e a normalização dos preços veio depois. Isso pode influenciar tanto a produtividade quanto a qualidade final do trigo.

Aveias ganham função estratégica

O Engenheiro Agrônomo ainda destacou que as aveias também ampliaram sua participação no inverno regional. A aveia branca, bastante cultivada na Serra dos Engenhos, é utilizada tanto para produção de grãos quanto para cobertura de solo. Parte da produção é destinada ao trato animal, o que reforça sua importância dentro das propriedades.

A aveia preta, por outro lado, vem sendo menos cultivada na região. Ainda assim, as diferentes espécies e os mixes de coberturas — que podem incluir centeio e outras plantas — continuam sendo ferramentas essenciais para a manutenção da fertilidade e da estrutura do solo.

Palhada e erosão: um alerta permanente

Os últimos invernos trouxeram chuvas torrenciais à região, e esse cenário transformou a palhada em um aliado indispensável. A cobertura vegetal amortece o impacto das gotas de chuva sobre o solo, reduz o escorrimento superficial e diminui a erosão.

Conforme Luciano, o problema, contudo, é generalizado. Praticamente todas as propriedades atendidas pela Cooperativa enfrentaram algum grau de erosão nos últimos anos.

Para enfrentar essa perda, a Cooperativa mantém o projeto “Construindo Solos”, voltado à manutenção de solos saudáveis e cada vez mais produtivos. A iniciativa reforça a necessidade de planejar coberturas vegetais conforme a realidade de cada propriedade.

Pousio exige planejamento

As áreas de pousio também merecem atenção especial. Em muitas propriedades, o gado utiliza essas áreas durante o inverno, o que pode provocar compactação do solo. Quando essa compactação se combina com precipitações elevadas, o risco de erosão e a perda de nutrientes aumentam significativamente.

Nas áreas que permanecem sem gado e sem plantas de cobertura, o desafio é outro: o manejo de plantas daninhas antes da soja. A dessecação precisa ser planejada e eficiente, evitando sobras e rebrotes que possam comprometer o controle dentro da cultura.

Plantio da soja começa de forma gradual

Com a colheita do trigo se aproximando e a umidade do solo sendo avaliada, alguns produtores já iniciaram o plantio da soja de maneira tímida. A previsão de chuvas para os próximos dias deve acelerar o ritmo dos trabalhos.

Depois da chuva, a expectativa é de intensificação do plantio nas propriedades da Serra dos Engenhos. Os produtores já estão com sementes planejadas, manejos definidos e tratamentos antecipados preparados.

A janela de plantio, no entanto, dependerá diretamente do comportamento do clima. A previsão de chuvas mais fortes em novembro faz com que muitos produtores se antecipem, mas a decisão final sobre a extensão do período de semeadura será ditada pelas condições climáticas.

Até o momento, o cenário é favorável. A expectativa é de que a maior parte do plantio seja concluída dentro da janela adequada, ainda em novembro, com apenas alguns casos podendo se estender para dezembro, revelou Luciano.

Confira a entrevista.