Publicada: 16/03/2026
segunda-feira, 16 de março de 2026
Fonte: Setor de Comunicação
Na manhã da última quinta-feira, 12 de março, a Cotriel recebeu uma importante palestra técnica voltada à segurança de alimentos e qualidade de grãos. A convite do setor de Qualidade, a PhD em Engenharia de Alimentos Bruna Gonçalves, da Romerlabs – empresa especializada em soluções de diagnóstico para segurança de alimentos e rações, com foco em testes e tecnologias para detecção de micotoxinas, alergênicos e contaminantes microbiológicos – abordou o tema “Micotoxinas na Cadeia Produtiva de Trigo: detalhes que fazem a diferença”.
Bruna explicou que as micotoxinas são metabólitos tóxicos produzidos por fungos toxigênicos durante seu metabolismo secundário, ao longo do crescimento e desenvolvimento sobre os grãos. Esses fungos, para se manterem vivos, utilizam primeiro o metabolismo primário, consumindo nutrientes como carboidratos e proteínas, o que reduz a massa seca do grão e pode alterar sua composição nutricional. A palestrante destacou que a infecção pode ocorrer em toda a cadeia produtiva – do campo ao armazenamento e processamento – e que a diferença de peso entre um grão sadio e um grão com fungo pode ser utilizada para separação, já que quanto mais leve o grão, maior tende a ter sido o consumo de massa seca pelo fungo e, consequentemente, maior a probabilidade de presença de micotoxinas.
Do ponto de vista do manejo, a palestrante destacou a importância de atuar desde o campo. Na fase de pré-colheita, ressaltou pontos como: aplicação de fungicidas registrados e no momento correto; rotação de culturas; uso de variedades mais resistentes; manejo adequado de resíduos culturais; escolha estratégica da data de plantio; e uso de agentes antagonistas que inibam o crescimento fúngico. Na pós-colheita, listou como essenciais o armazenamento adequado com secagem dos grãos para teores abaixo de 14% de umidade, controle de temperatura, ventilação e umidade em silos, manejo integrado de insetos e pragas para reduzir danos que favorecem a entrada de fungos, limpeza por peneiras e ar, uso de mesa densimétrica para diminuir contaminação e remoção de grãos danificados.
Bruna frisou que as micotoxinas podem estar presentes em qualquer ponto da cadeia, do campo até a mesa do consumidor, e que diversos estudos já apontam a influência de alterações climáticas na ocorrência dessas toxinas em trigo e derivados. Como tendência para o futuro, ressaltou a integração entre prevenção, detecção rápida e estratégias de desintoxicação, aliadas à pesquisa em biotecnologia, nanotecnologia e genômica, para criar soluções mais eficientes. Para ela, esforços conjuntos entre agricultores, indústria, comunidade científica e órgãos reguladores, apoiados por tecnologia inovadora e regulamentação clara, são essenciais para mitigar o impacto das micotoxinas na cadeia alimentar global e proteger a saúde pública.
Presente na ocasião, o administrador industrial do Moinho, Cesar Pierezan, informou que o Laboratório da Unidade adquiriu recentemente um equipamento para análises das cinco principais micotoxinas, pelo método de fluxo lateral, com o objetivo de ampliar a segurança e o controle de qualidade dos produtos. Pierezan destacou que o treinamento da equipe do laboratório buscou gerar resultados em consonância com cada etapa do processo e proporcionar ainda mais comprometimento e segurança nessa importante área de alimentos.
O treinamento também contou com a presença de Cátia Andrade e Tarciane Parizotto, responsáveis pelo setor de Qualidade da Cooperativa, além das responsáveis pela qualidade da fábrica, Cristiane Peter e Regina Vinchiguerra, além do encarregado das agroindústrias, Fernando Debiasi.
Confira aqui a entrevista.