Publicada: 02/10/2026
sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Fonte: Setor de Comunicação
Mais de 500 produtores, estudantes, técnicos e lideranças do setor participaram, na última quarta-feira (30), do Fórum da Pecuária da Cotriel, realizado na AFECO, em Espumoso. O evento, gratuito e aberto a associados e comunidade, teve como eixo central a busca por maior eficiência, produtividade e rentabilidade nas atividades de leite e corte, com ênfase em genética, reprodução e integração de sistemas.
Tecnologia com propósito: “Não basta trazer, é preciso justificar”
A primeira palestra foi do zootecnista Frederico Cassanta, da ABS, empresa parceira da cooperativa há décadas. Em sua apresentação, Cassanta reforçou que a intenção da ABS no campo “não é somente trazer tecnologias, é realmente justificar essas tecnologias para criar valor e entregar a esse produtor”.
Segundo ele, ferramentas como genômica, sêmen sexado e o conceito de Bife on Dairy (ou “Bife no Leite”) devem ser entendidas como meios para apoiar o resultado leiteiro e, ao mesmo tempo, gerar nova fonte de renda com terneiros cruzados de qualidade, padronizados e com bom desempenho no coxo. “É uma oportunidade que a gente tem de ter um terneiro bom, produzido da vaca leiteira, que vai atender os requisitos do corte e vai desempenhar no final também”, explicou.
Criar valor e entregar valor: a diferença que faz no bolso do produtor
Durante a palestra, Cassanta fez uma distinção importante entre “criar valor” e “entregar valor”. Para ele, criar valor já está sendo apoiado pelo mercado, com associações como Angus, Hereford e Braford desenvolvendo projetos que certificam a qualidade da carne de cruzados. “Quando a gente vê algumas associações criando ou já criaram projetos que certificam essa qualidade de carne do cruzado, a gente entende que já foi criado o valor”, disse.
No entanto, entregar valor exige mais: o terneiro precisa nascer bem, sem prejudicar a vaca leiteira, mas também tem que desempenhar no sistema de corte. “Entregar valor não é só ele nascer bem. Ele tem que desempenhar. Ele tem que ser padrão. Ele tem que cair num coxo e converter. Ele tem que ter uma qualidade de carne”, afirmou Cassanta.
A mensagem final foi direta: o produtor precisa olhar para o seu sistema, entender sua realidade e buscar como criar maior rentabilidade. “Cada realidade tem que ser entendida. O produtor tem que, a partir da sua realidade, aplicar o que é mais importante e o que gera o melhor resultado”, completou.
Reprodução é processo; genética é estratégia de longo prazo
Outro ponto abordado foi a diferença entre reprodução e genética. Enquanto a reprodução está ligada ao protocolo e ao ato de reproduzir o animal, a genética envolve o melhoramento ao longo das gerações. “Não é com qualquer indivíduo. E também não existe um indivíduo certo. Existe o indivíduo mais indicado para aquele momento, para aquele sistema, para aquele rebanho”, destacou Cassanta.
Nesse contexto, tecnologias como a genômica ganham força como ferramentas para conhecer o rebanho e tomar decisões mais assertivas. “A gente precisa conhecer o nosso rebanho e entender o nosso objetivo. A partir disso, a gente vai conseguir entender geneticamente o que é melhor”, explicou.
Mercado aquecido impulsiona adoção de tecnologias
Durante a palestra, foi mencionada uma campanha recente da ABS voltada à venda de sêmen sexado para terminação, ligado ao gado de corte, que teve alta adesão por parte dos produtores. Segundo Cassanta, as tendências de mercado apontam para um boi valorizado e um terneiro ainda mais valorizado. “Se eu fosse um produtor trabalhando, eu gostaria de surfar essa onda, seja do corte ou do leite. Eu gostaria de ter um produto macho, que desempenha bem, com qualidade de carne”, disse.
Ele ressaltou que o resultado a campo tem sido positivo, com bons índices de prenhez e desempenho, reforçando a confiança dos produtores nessas tecnologias.
Confira a entrevista.