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Publicada: 22/10/2026

Integração lavoura-pecuária é apontada como caminho para mais resiliência e rentabilidade no campo

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Fonte: Setor de Comunicação

A integração lavoura-pecuária voltou ao centro dos debates durante o Fórum da Pecuária promovido pela Cotriel. O convidado foi o Engenheiro Agrônomo Luis Otávio Lima, profissional com longa trajetória na CCGL e ampla experiência em pesquisa, que compartilhou com os participantes as lições acumuladas ao longo de anos de atuação técnica e também na propriedade da família, localizada na região de Passo Fundo.

Para Lima, a integração entre agricultura e pecuária não é uma solução única para todos os produtores, mas pode se tornar uma importante ferramenta quando construída a partir do básico bem feito e da organização da propriedade. “Não é possível para todo produtor fazer isso, mas o básico bem feito, a partir da organização da propriedade, já começa a gerar resultados”, avaliou.

Pesquisa orientada pelos problemas do campo

Com uma carreira marcada pela pesquisa agropecuária, Luis Otávio destacou que o conhecimento científico só cumpre seu papel quando parte das demandas reais dos produtores. Para ele, as cooperativas têm função estratégica nesse processo, por aproximarem o técnico, o pesquisador e o associado.

“Se o produtor não leva os seus problemas para dentro da pesquisa, não retroalimenta a pesquisa, e isso as cooperativas, a Cotriel faz muito bem esse processo, a pesquisa perde a função e perde o norte”, afirmou.

Ele lembrou uma orientação que marcou sua trajetória profissional: o produtor precisa trabalhar menos e fazer sobrar mais dinheiro no bolso. Segundo Lima, essa deve ser a referência para qualquer recomendação técnica. “O que a gente precisar para isso acontecer, nós vamos fazer”, ressaltou.

Leite e grãos em um sistema sinérgico

Na propriedade da família, a experiência começou pela atividade leiteira, que exigia produtividade, qualidade e eficiência ao mesmo tempo. Lima explicou que o segredo esteve em observar e adaptar as tecnologias utilizadas nas lavouras de alta produção para a produção de silagem e para o manejo dos animais.

“Como é que eu vou adubar uma lavoura de milho para alta produção de silagem? É olhando o que o pessoal do pivô está fazendo para colher trezentos sacos de milho. É esse o milho que eu quero colocar dentro de casa”, ilustrou.

Na visão do Agrônomo, a pecuária precisa devolver à agricultura uma área em melhores condições. Quando bem conduzida, a integração proporciona maior fertilidade, acúmulo de palhada, controle de plantas daninhas e melhoria do ambiente de produção. “A conversa entre a pecuária e a agricultura tem que ser, de fato, uma integração”, destacou.

Lima também ressaltou que o produtor não dispõe de tempo nem recursos para testar soluções por conta própria. Por isso, defendeu que as recomendações técnicas sejam amplamente validadas pela pesquisa antes de chegarem à propriedade.

“O dinheiro do produtor é caro e é escasso para ele estar fazendo teste. A partir do momento que a pesquisa diz: usa esse material, com essa fertilização, nessa época e dessa forma, fica muito mais fácil executar”, avaliou.

Gado de corte entra como estratégia de renda

Nos últimos anos, os desafios climáticos e financeiros ampliaram a busca por alternativas de renda nas propriedades. Secas sucessivas, granizo, custos elevados e instabilidade nos mercados de grãos levaram muitos produtores a repensar seus sistemas de produção.

Para Luis Otávio, a pecuária de corte passou a ocupar um papel estratégico nesse cenário. “A gente teve chuva de pedra, estragou canola, estragou trigo e o gado não. A gente acaba distribuindo o risco”, explicou.

Ele defendeu que diversificar não significa abandonar a especialização. Pelo contrário: o produtor pode diversificar suas atividades, desde que domine tecnicamente cada etapa do processo. “Hoje a gente tem que diversificar, sendo especialista em cada etapa. Esse é o jogo”, afirmou.

No modelo apresentado por Lima, o gado de corte entra na propriedade com data definida para começar e para terminar. Após a colheita dos grãos, uma pastagem é implantada e os animais utilizam a área, que posteriormente é liberada novamente para a agricultura.

Parcerias e planejamento definem o resultado

O médico veterinário também chamou atenção para a importância do planejamento comercial na atividade com gado de corte. Segundo ele, decisões como vender animais para confinamento ou estruturar um confinamento próprio podem representar a diferença entre lucro e prejuízo.

“Só o fato de eu tirar esses animais agora e vender para alguém que vai confinar, ou eu ter uma estrutura mínima de confinamento para dar acabamento a esses animais, eu vou colocar um real e pouco em cima do quilo. Isso define eu ganhar ou perder dinheiro”, destacou.

Para Lima, o futuro da pecuária está na construção de parcerias e na integração entre produtores. Um criador pode, por exemplo, fornecer animais para outro produtor finalizar, gerando ganhos para ambos e reduzindo custos ao longo da cadeia.

“Eu posso ter um vizinho que está produzindo grão e que vai passar por dentro do meu boi para a gente ganhar dinheiro junto. Desenhar essas alternativas para integrar sistemas, diminuir custo e fazer sobrar um pouco mais no bolso de cada um é o nosso grande desafio”, concluiu.

A participação de Luis Otávio Lima no Fórum da Pecuária reforçou o compromisso da Cotriel em levar conhecimento técnico, experiências práticas e alternativas de gestão aos seus associados, contribuindo para propriedades mais eficientes, resilientes e rentáveis.

Confira a entrevista.