Publicada: 03/11/2015
terça-feira, 3 de novembro de 2015
Nem o agricultor mais pessimista poderia prever um segundo semestre de combinações climáticas tão desastrosas no Rio Grande do Sul. Sob influência do fenômeno El Niño, um dos mais fortes da história, chuvaradas constantes e quedas de granizo deixaram rastros de destruição em 115 mil propriedades do Estado, que correspondem a 25% do total, segundo levantamento divulgado na sexta-feira pela Emater.
Só nas lavouras de trigo, as estimativas iniciais dão conta de prejuízos na ordem de R$ 590 milhões, levando em conta apenas a redução no volume a ser colhido. Nas plantações de fumo, os estragos causados pela chuva de pedra somam mais de R$ 90 milhões em 130 cidades, sem incluir as perdas por afogamento da planta em áreas alagadas. Os danos da fúria do tempo se multiplicam na produção de frutas, hortaliças e leite e afetam, ainda, o calendário de plantio da safra de verão.
No trigo, o mau tempo atingiu a cultura desde o começo da safra. Primeiro, foi o excesso de chuva em julho, seguido do calorão atípico em agosto e da forte geada em 12 e 13 de setembro. Em outubro, a chuvarada terminou de potencializar as perdas em quase 400 mil hectares, especialmente nas regiões Norte e Noroeste. Até agora, com menos de 50% da área colhida, a Emater estima redução de 40% da safra inicial estimada.
No início do ciclo de inverno, em maio, a previsão era de colher quase 2,7 milhões de toneladas de trigo. Agora, se a safra chegar a 1,5 milhão de toneladas superará a expectativa dos mais otimistas. As perdas na cultura são responsáveis por boa parte das 8,6 mil solicitações de Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) que chegaram à Emater até o fim de semana, especialmente no Norte e Noroeste.
Fonte: Zero Hora.