Publicada: 11/02/2016
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016
- Não existia cálculo que favorecesse o plantio de milho no começo do ciclo. Mesmo assim, plantamos pelos benefícios que a rotação de cultura deixa no solo - destaca Martiniano Costa Beber, 49 anos, um dos sócios da Sementes Costa Beber, que irá sediar a abertura oficial da colheita no próximo dia 12, em Condor, no Noroeste gaúcho.
Quando o milho se aproxima de 50% do preço da soja, em uma relação de dois por um, os produtores calculam que a cultura se torna tão rentável quanto a oleaginosa - a diferença de preço é compensada pelo volume três vezes maior por hectare. Com a colheita de milho iniciada na semana passada, o rendimento da lavoura varia entre 150 a 250 sacas por hectare.
O único percalço foi a geada de setembro, que comprometeu 60% da lavoura. As perdas são compensadas, pelo menos em parte, pela valorização do cereal e boa produtividade na lavoura 100% irrigada.
- Se o preço do milho se mantiver nesse patamar, iremos aumentar a área plantada na próxima safra - afirma Costa Beber, que reduziu em 40% a área plantada com o grão nesta safra.
A boa produção combinada com a alta de preço poderá estimular os produtores gaúchos a aumentarem a área cultivada no próximo ciclo - depois de cinco anos de redução consecutiva.
- A tendência é o produtor plantar mais. Ele costuma olhar para a última safra na hora de decidir. Se rendeu bem, investe mais - avalia Claudio de Jesus, presidente da Associação dos Produtores de Milho do Rio Grande do Sul (Apromilho-RS).
A sustentação dos preços do cereal em 2015 ocorreu mesmo no ano em que o Brasil colheu uma safra recorde. A cotação foi garantida pelo aumento das exportações e pela alta do dólar - que ultrapassou os R$ 4. Em 2015, os embarques chegaram a 28 milhões de toneladas - 40% a mais do que no ano anterior.
- Quando o dólar disparou, em setembro, as exportações aumentaram em ritmo alucinante - lembra Carlos Cogo, consultor agroeconômico.
Em dezembro, o Brasil bateu recorde absoluto para um mês ao exportar 6,2 milhões de toneladas. O aumento dos embarques reduziu a oferta interna, elevando o valor da saca no mercado brasileiro.
Fonte: Zero Hora.