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Publicada: 19/05/2016

Tecnologia mantém produtor jovem no campo

quinta-feira, 19 de maio de 2016

O produtor Cornélio Jacoob Aardoom, 54, tradicional no setor de leite na região de Tibagi, no Paraná, cansou da atividade após 20 anos de labuta.

Adepto do sistema de gado em pasto, as contas superavam as receitas no final do mês. Manteve a atenção mais na criação de cavalos crioulos, outra atividade da família.

Quando a atividade do leite parecia ter ficado para trás, o filho Luigi Alberti Aardoom, 26, resolveu retomar a atividade na propriedade do pai.

Técnico agrícola, Luigi, ao contrário da maioria dos jovens que crescem no campo e são atraídos pela vida urbana, optou por continuar a atividade, mas com uma visão mais moderna do sistema.

Tem ainda o suporte da irmã Dieska e do irmão Jader, que também optaram por ficar no campo e se dedicam a essa nova fase da atividade leiteira.

Luigi aprendeu logo cedo duas coisas: gestão e qualidade. Na avaliação dele, "o mercado está muito exigente, e só ganha quem tem produto de qualidade".

Quanto à gestão, ele buscou o aprimoramento em um MDA (Master Dairy Administration), uma espécie de MBA focado na gestão da produção de leite promovido pela Frísia, cooperativa a que está associado.

Cuidados com o rebanho e a incorporação de tecnologia na produção trouxeram resultados logo cedo, com a obtenção de um produto de alta qualidade.

A criação de cavalos de raça não foi descartada, mas está adormecida. Aos poucos, perde espaço para a produção de leite, que vem dando resultados lucrativos.

A experiência do pai e as novas ideias do filho já permitem um leite com uma CCS (contagem de células somáticas) bem abaixo da média dos produtores da região.

As células somáticas servem como defesa do animal. Quando bactérias ou outros tipos de patógenos invadem o úbere da vaca, as células migram para lá para uma defesa. Ou seja, quanto menos células somáticas no leite, maior é a qualidade do produto e uma indicação um estado sanitário melhor do úbere da vaca.

A média da CCS da propriedades dos Aardoom é de 103 mil células por ml. A média da cooperativa é de 450 mil, enquanto a legislação do início deste mês passou a exigir um limite máximo de 500 mil células.

"Agora resolvemos fazer a coisa certa", diz Cornélio. Relatando as dificuldades do passado, ele diz que "o negócio é bom, desde que feito da maneira correta".

A família produz diariamente 3.000 litros de leite, volume que, em breve, será de 6.000 litros diários.

O barracão para as vacas, a ordenha e o quadro de funcionários está montado, mas o sistema ainda opera com ociosidade de 50%. Luigi acredita que, quando estiver com toda a capacidade de produção em operação, os ganhos vão melhorar.

A utilização de tecnologia - do cuidado com as vacas, à ordenha e ao armazenamento do leite - já garante um ganho à família. O preço-base do leite está em R$ 0,92 por litro na região. As bonificações vindas da qualidade do produto garantem R$ 1,25 por litro aos Aardoom.

Outro ponto positivo é a gestão dos gastos. Enquanto os custos de alimentação por vaca representa 48% das receitas do leite na propriedade dos Aardoom, a média da região é de 55%.

Somados aos custos de alimentação do animal os de energia elétrica, água, gastos operacionais e de combustíveis, o valor total chega a R$ 1 por litro de leite.

"Sem produtividade e produto de qualidade, as contas não fecham", diz Luigi.

A produtividade atual é de 32 litros de leite por dia por vaca. Com a adoção de melhoramento genético, a meta será de 40 litros a 42 litros em dez anos.

A família tem um rebanho de 233 vacas leiteiras da raça holandesa. Dessas, 110 estão em fase de ordenha. Comparando o sistema que tinha no passado com o atual, Cornélio diz que a dedicação integral à produção é exigida em ambos os sistemas. Mas a alta tecnologia de hoje, o que resulta em qualidade do leite, "nos dá uma situação mais confortável".

Para Cornélio, o pequeno produtor precisa de tecnologia em sua atividade, principalmente na pecuária. E esse suporte pode vir das cooperativas, via planejamento, ajuda técnica e maneiras de trabalhar.

"Essa ação das cooperativas acaba servindo para uma sucessão familiar sem traumas. É o que está ocorrendo aqui", diz ele.

A área onde a família Aardoom desenvolve a atividade leiteira tem 40 hectares. Somam-se a essa área outros 60 hectares arrendados para a produção de parte dos alimentos dos animais.

A Cabanha Santa Carmelita, a outra atividade da família e conhecida pelos seus cavalos crioulos e prêmios recebidos nos últimos anos, ganha agora forte concorrência do leite.

NOTAS

Café?

As cápsulas, nova febre no consumo de café, passará agora sob o crivo da avaliação da Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café).

Certificação?

A associação vai orientar os industriais no desenvolvimento das cápsulas e o programa terá uma certificação que permitirá a identificação da intensidade da bebida. O sabor será avaliado do mais suave para o mais forte, em uma escala de zero a dez.

Mercado?

O consumo de café em cápsula tem crescimento contínuo e vertiginoso. Em 2014, eram oito torrefatores atuando no setor. Atualmente, são mais de 90. A Abic já tem certificação para pureza e qualidade do café torrado e moído.

Leite?

O setor de leite da Argentina sofre neste ano as consequências do severo El Niño. O setor, que já vive uma elevação de custos, teve redução de produção devido às enchentes nas principais áreas produtoras.

Produção?

Estimativas do Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) prevê uma redução de 10% na produção do país vizinho.

Preços?

O litro de leite vale próximo de US$ 0,20 para o produtor argentino, abaixo do US$ 0,32 na União Europeia e do US$ 0,27 no Chile.

Mercado?

Menor oferta e preços pouco competitivos tiram produtores do setor e inibem os investimentos. Pelo menos 27% da produção de leite e de derivados da Argentina tem o Brasil como destino.

O jornalista viajou ao Paraná a convite da Frísia

Fonte: Folha de S.Paulo - 18/05/2016